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segunda-feira, 16 de março de 2009

No meu sonho....


No meu sonho não me achaste gorda nem feia e nem sem graça No meu sonho chegaste de mansinho por trás de mim e agarraste-me como quem dança, obrigaste-me a olhar-te no olhos e chegaste os teus lábios, devagarinho, como se tivesses medo de magoar os meus. O toque dos teus lábios era macio, suave, quente. Eram doces os teus lábios. Senti-os, saboreei-os. O teu abraço era forte sem ser bruto. Rodeavas a minha cintura com firmeza como se tivesses medo que fugisse do teu abraço. A outra mão afastava os meus cabelos da cara, suavemente, numa carícia prolongada. No meu sonho fechavas os olhos e gemias baixinho mostrando o quanto me desejavas naquele momento. No meu sonho as nossas ancas estavam bem juntas, o ventre colado, o teu peito arfando com o meu. Cheiravas tão bem, um cheiro doce de flores exóticas e cheiravas a ti, da tua pele emanava o teu cheiro, a tua essência. No meu sonho ficamos ali a beijar-nos muitas vezes, sempre devagarinho, de olhos fechados, sentido a pele um do outro na palma das mãos. Passei a minha mão pelo teu cabelo macio, sentindo-o passar suavemente por entre os dedos, acariciei o teu rosto de barba por fazer. Pedi a tua mão para a beijar, e depois pousei-a no meu pescoço para que o acariciasse.
No meu sonho fizemos amor.

sexta-feira, 13 de março de 2009

Livre...

Abri os braços. Olhei em frente e perdi os olhos no azul brilhante do céu. E se tentasse voar? Respirei fundo e pude sentir que os meus pulmões se enchiam de ar e eu me tornava mais leve. Ordenei que os pensamentos negros abandonassem a minha cabeça e fiquei ainda mais leve. E se tentasse voar? Fechei os olhos e de braços abertos, deixei-me cair. Uns segundos e senti o meu corpo fluir pelo céu. Estava a voar. Lá em baixo, o mar na sua imensidão. Estava a voar…

quinta-feira, 12 de março de 2009

O lago


Havia muito que caminhava. A minha boca estava seca e sabia a pó. Os meus pés mal suportavam tocar o chão. Há tanto tempo que caminhava sem rumo que me sentia profundamente cansada e abatida. O sol abrasador tinha deixado marcas profundas na minha pele branca e o meu andar, outrora seguro, era agora periclitante e errático. Sentia-me perto do fim. Olhei o horizonte e pareceu-me ver algo azul. Pensei: é uma miragem. Desfaleci.
Quando abri os olhos estava deitada numa cama feita de seda à beira de um lago. O lago. Uma mulher jovem limpava-me o rosto com um pano macio. Estava lavada e já não tinha sede. Soergui-me e pude ver que o lago era azul-escuro, como os meus olhos. De um lado salgueiros-chorão, do outro, choupos. Vi vários homens e mulheres deitados na relva. Uns liam, outros desenhavam, outros deitados de costas viam as nuvens lá no alto. Vestiam-se de azul. Túnicas azul céu de seda esvoaçante. Pareciam em paz. A mulher olhou-me e sorriu. Eu sorri também. Com um gesto convidou-me a levantar e avançar até ao lago. Entrei de mansinho, um pé depois do outro. A água era fresca e límpida. Não senti frio. Fui entrando até não ter pé. Abri os braços e deslizei pela água. De costas, deixei-me estar ali no meio do lago, flutuando. Via os fiapos brancos no céu mais azul que alguma vez tinha visto e senti a tranquilidade invadir cada bocadinho do meu corpo. Fechei os olhos para melhor poder gozar o momento. Quando os abri, já estava a escurecer. Vi-me envolta na penumbra. O lago reflectia a cor cálida das fogueiras na praia. Estranho, pensei, não senti frio, nem fome, nem cansaço. Que lugar seria aquele que o frio e a fome não se faziam sentir? Nadei até à margem e sai caminhando na areia pelo meio das fogueiras. No céu a primeira estrela despontava brilhando suavemente. Um homem esperava por mim. Quando cheguei perto estendeu-me a mão e disse-me:
- Chegaste a casa finalmente. Que bom. Estava à tua espera.