segunda-feira, 27 de abril de 2009

da solidão

desde há algum tempo para cá que só tu me fazes chorar. eu não quero, mas quando penso na tua ausência propositada, nas conversas que poderíamos ter, nos beijos que poderíamos trocar, em tudo o que poderíamos ser e não somos e não temos, um soluço gigantesco fica preso na minha garganta impedindo-me de respirar. depois, só o manancial de lágrimas me lava a alma e me permite continuar, passo a passo a vidinha do costume. de resto, a maioria do tempo nem me lembro que existes. são picos de solitária dor. ainda bem que são poucos, porque agora não tenho tempo para sofrer.

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Poema de fim de tarde...

Cláudia Moreira
(Gaia)
A luz diáfana do fim da tarde
o cheiro intenso da maresia
a esperança em mim ainda arde
ao contrário daquilo que eu dizia
quero ser feliz urgentemente
afogar a angustia e a tristeza
viver a vida intensamente
disso tenho eu agora certeza
caminho na areia ainda quente
e olho as gaivotas a pairar
e em mim cresce então o desejo urgente
de pela tristeza não me deixar derrotar...
Cláudia Moreira

domingo, 19 de abril de 2009

pôr-do-sol

foto da minha autoria, tirada na praia de valadares-gaia, num fim de dia primaveril

preciso desta calma como de pão para a boca. há muito tempo que não visito este mar, este sol, esta quietude que me apazigua a alma. sinto falta de ti. preciso de deitar a cabeça no teu braço e fazer de conta que a vida é fácil e que estou feliz.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Pensamento...

Tenho uma estranha sensação.Estou a viver num mundo paralelo. Não pode ser mais nada. A minha realidade não é tão estranha assim....

quarta-feira, 25 de março de 2009

Eu


Por fora não se vê nada. Entre beijos em bochechas fofas e infantis e ralhetes acidentais, entre jantares e pequenos-almoços e estender roupa para secar, sou simplesmente uma mulher normal. Também no trabalho sou uma mulher normal, de saltos altos organizo papeis e distribuo bons dias. Vêem-me passar e não vêem nada. Vou às compras e ao ginásio. E também rio e choro e grito e ralho e murmuro e suspiro e como e corro e faço tudo o que faz uma mulher normal. No entanto, quando olho dentro de mim vejo uma pessoa sem idade, desejosa de liberdade, aflita por amor. Por fora não se vê nada. Não se vê que sofro, que me debato com os meus monstros. Por fora não se vê que sonho com lugares mágicos onde não é preciso chorar. Por dentro sou eu, sem véus diáfanos a cobrir-me o rosto. Ninguém me conhece, ninguém sabe quem eu sou. O que conhecem de mim é apenas uma pequena parte. O resto está escondido numa alma sufocada pela rotina e que ninguém quer conhecer. Por dentro de mim há um mundo de emoções e de sensações que ninguém suspeita. Mas por fora não se vê nada. Sou uma mulher normal.

segunda-feira, 16 de março de 2009

No meu sonho....


No meu sonho não me achaste gorda nem feia e nem sem graça No meu sonho chegaste de mansinho por trás de mim e agarraste-me como quem dança, obrigaste-me a olhar-te no olhos e chegaste os teus lábios, devagarinho, como se tivesses medo de magoar os meus. O toque dos teus lábios era macio, suave, quente. Eram doces os teus lábios. Senti-os, saboreei-os. O teu abraço era forte sem ser bruto. Rodeavas a minha cintura com firmeza como se tivesses medo que fugisse do teu abraço. A outra mão afastava os meus cabelos da cara, suavemente, numa carícia prolongada. No meu sonho fechavas os olhos e gemias baixinho mostrando o quanto me desejavas naquele momento. No meu sonho as nossas ancas estavam bem juntas, o ventre colado, o teu peito arfando com o meu. Cheiravas tão bem, um cheiro doce de flores exóticas e cheiravas a ti, da tua pele emanava o teu cheiro, a tua essência. No meu sonho ficamos ali a beijar-nos muitas vezes, sempre devagarinho, de olhos fechados, sentido a pele um do outro na palma das mãos. Passei a minha mão pelo teu cabelo macio, sentindo-o passar suavemente por entre os dedos, acariciei o teu rosto de barba por fazer. Pedi a tua mão para a beijar, e depois pousei-a no meu pescoço para que o acariciasse.
No meu sonho fizemos amor.

Como pássaro ferido...


Vi-a num dia de chuva miudinha, quando passeava por entre as árvores despidas de folhas verdes. Já sabia da sua existência, mas só naquele preciso momento me dei conta de que era verdadeiramente real e sofria. Vi-a no chão sangrando e apanhei-a como apanharia um pássaro ferido. Envolvi-a em pedaços de algodão macio e acarinhei-a. Disse-lhe palavras ternas e falei-lhe dos sítios magníficos para onde poderia um dia voar. Durante algum tempo cuidei dela e ficamos ligadas para sempre. Nunca deixo de a sentir. Mesmo agora que voou pelo céu aberto, sinto-a sempre, esteja onde estiver. Quando sofre eu sei, quando ri eu sei e quando ama também sei. Na outra noite sentia-a chorar e fiquei triste. Queria passar-lhe a mão na cabeça e jurar-lhe que tudo vai passar e ficar bem, mas não posso. Sinto a minha alma mas não a vejo. Sei que deve andar escondida por entre as arvores, soluçando escondida do mundo que lhe faz mal. Vou ficar atenta, não vá cair novamente no chão e não haver ninguém por perto para a apanhar.